O Papel de Fidel Castro na Instrumentalização Comunista da Igreja Católica

por Hermes Rodrigues Nery

A Igreja Católica latino-americana foi a que mais se seduziu pela obsessão política de Fidel Castro, e os efeitos dessa sedução estão aí como frutos venenosos. Fidel foi um dos que mais investiu e apoiou a Teologia da Libertação, porque sabia que a extensão da revolução cubana só seria possível se não com o apoio declarado da Igreja, mas ao menos com a neutralização dos setores conservadores. Nesse sentido, ele contou com os progressistas da Igreja latino-americana para dar sobrevida a um regime político de Cuba, que penalizou o seu povo com a mais longa ditadura do século XX-XXI.

Muitos padres e bispos se encantaram com a retórica de Fidel, a mesma retórica de um governo para os pobres, que usa a retórica dos pobres para enriquecer os líderes e fortalecer as estruturas do poder. O internacionalismo de esquerda teve em Fidel Castro o líder carismático a favorecer uma lógica de poder que empobrece a todos e enriquece apenas uma casta de opressores.

Quando Fidel percebeu que não podia tomar o continente latino-americano pelas guerrilhas (mal sucedidas nos anos 70, principalmente no Brasil), então entendeu que era preciso ganhar os padres e bispos, com o discurso falacioso de que cristianismo e socialismo tinham pontos em comum, e a partir daí apoiou uma revolução mais profunda no continente, a partir das bases de uma Igreja seduzida pela “teologia do povo”. Ele pregava junto aos padres e bispos: “Jesus foi o primeiro comunista”, e muitos aderiam com entusiasmo a tal pensamento.

O investimento na teologia da libertação não foi apenas no campo das ideias. Fidel sabia que era preciso investir dinheiro em organismos que atuam dentro da Igreja, para fomentar as ideias revolucionárias. Por isso a Cáritas foi um dos organismos mais sintonizados com a estratégia de poder das esquerdas. Essa ação de Fidel dentro da Igreja faz parte também de seu controverso legado, cujos efeitos ainda não sabemos por quanto tempo e a dimensão da devastação no seio da Igreja, disso tudo. O fato é que a Igreja passou a ser instrumentalizada pelo internacionalismo de esquerda para seus fins, e agora também para os fins de um globalismo, que começou justamente nesse ano, a sofrer resistências em diversas partes do mundo (especialmente com o Brexit e a vitória de Trump nos EUA).

Nascido numa família católica, teve a oportunidade conhecer pessoalmente três papas. Teria tido Fidel chances, de, ao final da vida, se arrepender e se converter? Não se sabe. Sua irmã, Juanita Castro, que não concordava com sua visão política e também se exilou, parece que desejava a sua conversão pessoal. O fato é que teve muito poder, uma vida muito abastada, muita influência, carisma e força política como poucos líderes latino-americanos tiveram.

Tivesse compreendido realmente a doutrina social do cristianismo, e tivesse canalizado seu potencial e se decidido tornar-se um líder cristão, o continente latino-americano seria outro, sem dúvida, e mais desenvolvido. Equivocou-se na visão política, nas opções que fizera, nas suas obsessões, e os demais tiranetes e corruptos sul-americanos que o seguiram.

Sobre o autor:
Hermes Rodrigues Nery é professor e jornalista. Especialista em Bioética (pela PUC-RJ), é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Autor do livro “A Igreja é Viva e Jovem” (Editora Linotipo Digital), lançado na Jornada Mundial da Juventude (RJ, 2013), dentre outras publicações.


 

2 comentários sobre “O Papel de Fidel Castro na Instrumentalização Comunista da Igreja Católica

  1. Excelente texto.
    Um ponto de discordância apenas. Ele não se equivocou. Ele sabia, é muito bem, o que estava fazendo e, mais, as consequências dos seu atos. Poder, abastança e orgulho em altas doses cegam. Ou melhor, deliberadamente cegam.

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  2. Ele teve apoio dos ameri- canos para derrubar a ditadura Batista Fulgen- cio.Derrubou em 1959 e até 1961 não conseguiu se compor com amigos ame ricanos e viu que nada ia mudar. Teve que escolher ou ficava com os América nos ou bandeava-se para o lado da Rússia que era a dona da outra metade do mundo com regime comunista ateu. A opção certa ou errada levou sofrimentos para o povo cubano e riqueza para os donos do poder. Abre-se nova era para a volta à democracia e o caminho será de dificuldades e vinditas mas de esperança de dias melhores para o povo cubano.

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