Defender Afastamento de Temer É Fazer Jogo da Esquerda

O governo de Michel Temer está longe de ser o governo que a nação espera e precisa. Eleito pelos petistas, Michel Temer e seu partido fizeram e fazem parte do condomínio de poder político patrimonialista e corrupto que há décadas controla o estado brasileiro. Condomínio esse que teve como síndico o PT durante treze anos. O síndico foi demitido, mas o condomínio permanece, assim como suas práticas deletérias aos interesses do país.

Michel Temer não é refém da classe política: ele é membro da mesma classe política que hoje tenta de todas as formas se safar de seus crimes por meio da tentativa de anistia aos crimes de caixa dois e por meio de outras medidas que visam impor restrições legais às investigações da Lava Jato. Soma-se a isso, as ambiguidades e a inconsequência de suas declarações e a facilidade com que o presidente cede às pressões da esquerda, como ficou evidenciado no episódio da extinção e recriação do Ministério da Cultura.

A despeito dessas constatações, um hipotético afastamento de Michel Temer interessa somente à esquerda e em particular aos tucanos, especialmente ao socialista Fernando Henrique Cardoso e seu entourage. Desde a aprovação do impeachment e o afastamento da ex-presidente petista, a esquerda definiu como prioridade minar a governabilidade do novo presidente. E nessa tentativa de desestabilização, a esquerda não tem medido esforços, seja nas redes sociais, seja nas ações de suas milícias travestidas de movimento social, seja nas próprias estruturas de poder onde ela, a esquerda, ainda permanece presente.

O episódio envolvendo o agora ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-ministro da Cultura evidenciou-se como uma narrativa muito bem construída e arquitetada para, sob pretexto de preocupação com a moralidade pública, criar um fato consumado para promover de vez a derrubada do governo. Não é por outro motivo que o blog O Antagonista, porta-voz oficioso da ala tucana ligada a Fernando Henrique Cardoso e à velha guarda socialista do partido, superdimensionou o episódio e reforçou a campanha aberta que o blog faz há meses pela deposição do governo e a escolha indireta via Congresso Nacional de Fernando Henrique Cardoso para um mandato tampão. 

Uma troca de governo agora seria  em primeiro lugar prejudicial ao país, pois ampliaria o horizonte de incertezas principalmente na área econômica. Representaria também uma saída à esquerda para a crise política, saída essa que seria avalizada pela mesma classe política que hoje procura se safar de seus crimes e sepultar a Lava Jato. Uma saída que poderia até mesmo incluir a adoção casuística de um parlamentarismo de ocasião, como forma de assegurar que o poder permaneça nas mãos da classe política independentemente de quem vença as próximas eleições presidenciais.

Setores dos movimentos de rua que estão nesse momento flertando com a tese do #ForaTemer estão raciocinando politicamente com o fígado e não com o cérebro, esquecendo-se que a esquerda possui estratégias de atuação de longo prazo muito bem pensadas, enquanto a direita conservadora não possui estratégia de atuação nem mesmo para o que fazer daqui meia hora. O que a direita precisa fazer não é abraçar teses da esquerda por impulso, mas sim pressionar o governo de Michel Temer para que este não ceda às pressões e chantagens da esquerda e da classe política. É preciso pressioná-lo para que ele conduza seu governo em benefício não dele ou de seu partido, mas em benefício do país até o final de seu mandato.


 

 

8 comentários sobre “Defender Afastamento de Temer É Fazer Jogo da Esquerda

  1. Prezado Paulo Enéas
    Na minha opinião fica um tanto estranho um presidente dizer o que disse no programa Roda Viva e, ainda por cima, se manter em silêncio diante do que se arma no Congresso. Apenas dois lances, que causam espécie.
    Diante do que disseste e do acima descrito por mim, eu pergunto: ele, o Temer, estaria fazendo o jogo do seu próprio afastamento?

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    • Esquerda, não. Eu acredito que o FHC é de EXTREMA esquerda. Ele começou toda a engenharia social que minou a moralidade no país.

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  2. Belo artigo. Vendo alguns comentários, tem pessoas que acham o FHC um direitista, falta dizer conservador. Por favor, continue seu bom trabalho.

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  3. A única saída é apoiar os monarquistas. Isso quebraria o establishment inteiro (grande mídia, foro de SP, classe política corrupta, os três poderes da república, parte da igreja católica). A República nunca deu certo. Sempre foi e sempre será assim. Não sei o que o senhor Paulo Eneas pensa, é a única instituição isenta em todos esses anos.

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    • Concordo com essa tese. Isso é tudo que eles procuraram destituir com o golpe de 1889. A recolocação de um sistema monarquista parlamentar liquidaria e colocaria uma tampa intransponível no caixão da revolução além se permitir o retorno das bases sociais e raízes históricas e culturais da nação brasileira.

      Desde daquele momento pós 89 como mostra o Prof. Loryel, os comunistas e as oligarquias deturbaram a história procurando a todo momento recriá-la, tornando a república , uma estrutura irreal e falaciosa que nunca representou a origem cultural do país. A república foi e é a alternância de oligarquias e populisto, com interferência das forças armadas quanto os dois grupos se debatiam uns com os outros.
      O pior como bom comunistas, se aposaram de todos os símbolos da monarquia. “Palácio do Alvorada”, “Excelências”, a “Corte de justiça” … dese quando um regime replubicando chama a casa do presidente de “Palácio “. Essa alternativa do mandato tampão é tão simbólica que representa tudo de mais nefasto.desse.pessoal. Da mesma forma que na revolução Rússia, Lenin, e na revolução Francesa, Robespierre, substituem a figura do Rei por a deles próprios. Despotas que mostram claramente que o sistema comunista é regido, entre diversas outras características, por três clássicas : psicopatia, egocentrismo desvarado e a inveja.
      O socialista narcisista agora quer ser o Rei do Brasil.

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  4. OK, não quero discordar de que “a esquerda definiu como prioridade minar a governabilidade do novo presidente”. Mas há como defender um presidente que, sentado ao lado de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, faz um deplorável pronunciamento criticando um servidor público de carreira que não quis se acumpliciar com uma conduta “não republicana” de um companheiro desse presidente?

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