A Escolha dos Eleitores Paulistanos

Os paulistanos irão derrotar os principais representantes da esquerda nas eleições desse domingo: o fracassado petista Fernando Haddad, e a dissimulada e também petista Marta Suplicy, abrigada em outra sigla por razões de conveniência. Uma parcela do eleitorado que se identifica como conservador ou mesmo de direita, e portanto não se reivindica como eleitor tucano por convicção, decidiu apoiar já nesse primeiro turno a candidatura de João Dória, valendo-se do princípio do voto útil: liquidar a disputa eleitoral já no primeiro turno, garantindo assim a derrota dos dois candidatos principais da esquerda.

Existem bons argumentos estritamente eleitorais em favor dessa escolha, principalmente considerando-se o viés liberal de João Dória Jr. e o fato de sua candidatura estar sendo atacada pela ala mais autenticamente tucana, e portanto de esquerda, representada principalmente por Fernando Henrique Cardoso e outros cardeais da velha guarda socialdemocrata e globalista do PSDB. Ala essa que tem no blog O Antagonista o seu porta-voz oficioso que durante meses atacou a candidatura de Dória Jr. inclusive após a convenção tucana.

Essa cisão iminente do tucanato, com uma parcela do partido se deslocando timidamente ao centro, corresponde exatamente ao que havíamos antecipado aqui no Crítica Nacional em artigos anteriores e imediatamente após o impeachment: o que manteve a coesão tucana por anos a fio era o fato de existir um adversário principal no campo estritamente eleitoral representado pelo petismo. Um adversário eleitoral que nunca deixou de ser um aliado no campo ideológico, como bem enfatizou o socialista Fernando Henrique Cardoso inúmeras vezes.

Nesse jogo combinado entre petistas e tucanos, durante anos apresentado ao eleitorado como se fosse uma real polarização (que a rigor era e sempre foi falsa), sempre coube aos tucanos o papel de buffer ou de biombo para impedir o surgimento de uma oposição de fato não apenas ao petismo, mas à agenda ideológica de esquerda que tanto o petismo quanto os tucanos sempre abraçaram. Isso explica, entre outros, porque os tucanos somente aceitaram adotar a tese do impeachment em seus momentos finais, quando este já era uma realidade.

O futuro dos tucanos será objeto de uma análise nossa em outro artigo. Cabe agora saber até onde é ou não acertada a opção de voto útil ou pragmático já no primeiro turno das eleições paulistanas. No nosso entender, ainda que a disputa política real demande por um pragmatismo na maioria das vezes, esse voto útil agora não faz sentido nem se justifica, pelas seguintes razões:

a) Não existe possibilidade de um dos dois principais candidatos da esquerda vencer essas eleições, exceto se houver fraude nas miseráveis urnas eletrônicas.

b) João Dória Jr. irá para o segundo turno de qualquer maneira. Portanto, um voto útil no candidato tucano nesse primeiro turno servirá apenas para dar ao PSDB uma densidade eleitoral que não corresponde ao seu real peso político na sociedade paulistana.

c) Em um provável segundo turno entre o candidato tucano contra um dos candidatos principais da esquerda ou contra a candidatura do fisiologismo político puro e simples representada por Russomano, que durante anos foi da base aliada do governo federal petista, é evidente que o voto útil em João Dória Jr. faria todo sentido.

d) Por fim, entendemos que essa opção de voto útil já no primeiro turno mostra a incapacidade que a direita conservadora teve de se articular em torno de uma candidatura que fosse expressiva o bastante para conquistar o eleitorado conservador e de direita da cidade e para demarcar posição no primeiro turno da disputa.

e) A despeito dos esforços e do mérito da candidatura do Major Olímpio, é de se lamentar que no momento em que existe uma ampla rejeição nacional às políticas de esquerda, a direita não tenha tido capacidade de se apresentar unificada para a disputa na maior cidade do país. Por esse critério, o mérito desse esforço de disputa fica por conta do Rio de Janeiro, onde a candidatura de Flávio Bolsonaro cumpriu esse papel, a despeito de todas as adversidades e dos ataques sistemáticos que ela sofreu, inclusive de pseudo direitistas.

O cenário desenhado na disputa paulistana reforça o que o Crítica Nacional vem afirmando há meses: a esquerda não foi derrotada, mas vive uma crise no país. E diante desse quadro é imperativo e obrigatório que a direita conservadora nacional entenda a necessidade de se constituir como força política organizada, capaz de se apresentar para as disputas que realmente importam na sociedade brasileira. Disputas essas que não se encerrarão com as eleições desse domingo.



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