O Engodo das Dez Medidas Contra Corrupção: Prólogo

A corrupção na vida pública é um problema e precisa ser enfrentado. Mas querer combater a corrupção concedendo mais poderes a órgãos do estado, em especial à casta intocável e inimputável de procuradores, formada em grande parte por indivíduos que aderem de modo velado ou mesmo explícito à agenda ideológica da esquerda em suas vertentes mais sutis e sedutoras, é um erro equivalente a querer apagar fogo com gasolina. A corrupção na vida pública tem sua origem na existência de um estado agigantado que interfere em todos os aspectos da vida das pessoas e das empresas.

A origem da corrupção está num estado intervencionista e em um sistema jurídico e regulatório que impõem a obrigação de cada indivíduo e de cada empresa estabelecer alguma relação com o poder público, quando na verdade deveria ser o contrário: indivíduos e empresas deveriam ser livres para não estabelecer nenhum relação com o poder público, exceto se desejarem. É desta relação forçada e obrigatória entre indivíduos e empresas de um lado e o poder público por meio de seus agentes de outro, que nasce a corrupção, quase sempre por iniciativa do agente público, interessado em vender facilidades, uma vez que as dificuldades já foram estabelecidas em leis e normas para essa finalidade.

O combate à corrupção tem que sair da esfera do pseudomoralismo de antanho de pseudoantagonistas e tomar a feição e a forma que realmente importam: combate-se a corrupção diminuindo o estado, reduzindo os poderes que seus agentes podem exercer sobre indivíduos e empresas, como o de aplicar multas e até mesmo levar um empreendimento a falência. O projeto com as tais Dez Medidas Contra a Corrupção, que vem sendo apoiado com entusiasmo por muitas pessoas bem intencionadas mas desinformadas, vai justamente na direção contrária: se adotadas, tais medidas criarão um subestado autoritário dentro do estado, uma Stasi de Procuradores, formada por pessoas não eleitas e que não precisam prestar contas a ninguém de seus atos, exceto a seus superiores hierárquicos, dentro de uma relação que é sabidamente corporativista e mutuamente protetora.

O combate a corrupção não pode estar desvinculado de um claro entendimento sobre o lugar que a corrupção ocupa na guerra política. A corrupção nem sempre se destina somente ao enriquecimento ilícito das partes envolvidas, principalmente os agentes públicos: a corrupção pode estar a serviço de uma ideologia, como o projeto criminoso de poder representado pelo petismo, que se valeu da corrupção para tentar levar adiante um projeto político socialista, como mostramos nesse artigo aqui. É ingenuidade achar que se vai combater a corrupção adotando medidas, como as dez medidas propostas, que visivelmente bebem da mesma fonte e se inspiram na mesma matriz ideológica que deu origem ao petismo: o estatismo esquerdista de viés autoritário e francamente hostil à iniciativa privada.

Nota:
E
ste artigo foi apenas um prólogo, e nos próximos dias voltaremos a tratar do tema com mais profundidade.


13 comentários sobre “O Engodo das Dez Medidas Contra Corrupção: Prólogo

  1. Além de nos preocupar com os poderes que daremos ao judiciário e MP, temos que exigir o fim do Foro Privilegiado. Com as infinidades de verbas destinadas a cada deputado e senador (eles não precisam de tanto dinheiro, pois não tem que executar nada!!!! Isso é obrigação do Executivo!!! Eles tem que criar leis para melhorar a situação do país e fiscalizar as ações do Executivo.Para isso não precisam das verbas insanas que eles recebem anualmente) .

    Curtir

  2. OU SEJA: SE VAMOS PRA LÁ O BICHO COME, SE VAMOS PRA CÁ O BICHO DEVORA… APELAR A QUE OU A QUEM, AFINAL DE CONTAS? APÓS O IMPEACHMENT, NÓS NÃO DEVERÍAMOS ESTAR CONQUISTANDO PASSINHO POR PASSINHO? ENTÃO COMO DEVERIA SER? AS “CABEÇAS PENSANTES” DE NOSSO PAÍS SIMPLESMENTE SE DISTRAEM OU SE SE RIGOSIJAM COM AS FALÊNCIAS DOS CONTRÁRIOS, QUANDO DEVERIAM ESTAR MOSTRANDO SOLUÇÕES, PREFEREM “MACHETEAR” UM PSEUDO ADVERSÁRIO “TÉCNICO OU LITERÁRIO QUANDO DEVERIAM MOSTRAR O CAMINHO A SER SEGUIDO OU ENLAMEAR O CAMINHO MOSTRADO POR ALGUNS; A QUEM DEVEMOS OUVIR, OU SEGUIR, OU MESMO LER SEUS COMENTÁRIOS? SPERIAMO CHE VENGA QUALSIASI, PERÒ CON BUONE IDEE!

    Curtir

  3. Caro Paulo, eu concordo que junto com as 10 medidas, que dificilmente serão convertidas em lei na sua integra e acolhidas em nosso ordenamento jurídico, deveríamos estruturar o estado brasileiro. Isto é claro, mas pelo meu entender isto implicaria na necessidade em uma nova Constituição, não é? Ou como vamos reduzir a atuação e interferência do estado nas nossas vidas? Vamos discutir os meios de atingirmos metas comuns.

    Curtir

  4. Afinal de contas, as 10 medidas do MP para combater a corrupção, controla a atividade quem ? DOS POLITICOS, das empresas ou dos indivíduos comuns ?

    Se for os politicos, é avanço…

    Curtir

  5. O cerne da questão é a prevalência do Estado. é o seu tamanho. Isso é pouco discutido, devido, acho eu, ao despreparo nosso de discutir assunto dessa magnitude. Falta-nos base filosófica. A Pátria Educadora não prepara o indivíduo para descobri verdades, só para aceitá-las. Um artigo desses reflete, denuncia o quanto estamos atrasados.

    Curtir

  6. Engodo é esse artigo sem pé sem cabeça, com um texto impecável não deu solução, nem dirigiu ninguém a uma auto-reflexão jurídica, política, religiosa, social, nada! O estado é estado, desde que o conheço ele deve ser moldado ao seu povo, sempre com violência e sangue, os nossos direitos e tratados nasceram assim, me fale de um, que eu te falo de violência, corrupção e poder. Nosso modelo é bom, mas quem os faz não são os anjos do céu, aqui na Europa ou em qualquer lugar, o real combate é a corrupção do ser humano, bestial… por enquanto prefiro o MPF que todos essa corja política de nosso país …

    Curtir

  7. Inacreditável que mesmo estando clara a atuação aparelhada das instituições, seja aparelhamento de esquerda ou “direita” ainda há quem acredite que empoderando de instituições do estado, no caso o MP, estaremos combatendo a corrupção… Paulo Eneas explicou claramente as origens da corrupção e a solução para combatê-la. A relação imposta do Estado que submete indivíduos e empresas, a burocracia complicada e morosa, e a ação ilegal mas bem articulada de funcionários públicos oferecendo facilidades e/ou vantagens à quem depende do Estado para fazer qualquer coisa. Mas a capacidade cognitiva do brasileiro anda em baixa, salvo raríssimas exceções…

    Curtir

  8. Pingback: O Engodo das Dez Medidas Contra Corrupção: Prólogo — Crítica Nacional | O LADO ESCURO DA LUA

  9. Pingback: Enfrentar A Corrupção Com As Leis Existentes | Crítica Nacional

  10. Pingback: A Classe Política Arma um Golpe Contra a Nação | Crítica Nacional

  11. Pingback: Projeto das Dez Medidas: Um Cavalo de Troia Contra a Lava Jato | Crítica Nacional

Comentário ao artigo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s