O Caminho da Direita Conservadora Brasileira

Uma das afirmações mais comuns que se observa nas redes sociais, afirmação essa feita em tom de lamento e de resignação, é a de que não existe uma direita política no Brasil. De fato, sabemos que não existe uma direita como força política consistente e organizada no país. E as razões para esse fenômeno se devem principalmente ao período mais duro do regime militar que, ao suspender a vida política institucional no país, ainda que por razões muito fortes, produziu o efeito desastroso de cessar toda a atividade política da direita, deixando o campo aberto para que a esquerda pudesse levar adiante, sozinha e sem oponentes, a sua política de ocupação de espaços nas instituições de formação da cultura e de opinião pública.

Mas no período mais recente da história do país, a ausência de uma direita organizada se deve principalmente ao fato de os indivíduos que se colocam como sendo de direita e conservadores estarem ocupados demais lamentando essa ausência, em vez de se ocuparem em arregaçar as mangas e contribuir para a formação efetiva de uma direita como força política organizada. Uma agremiação política que se pretenda colocar como alternativa de poder para a sociedade não surge nem nasce por geração espontânea. É preciso que as pessoas, os indivíduos, que comungam dessa perspectiva, se disponham a construir esse projeto em termos concretos, dando início efetivo à formação de um partido nacional de direita, ambicionando dar à direita conservadora brasileira uma dimensão institucional, imprescindível para a real disputa de poder.

Ao mesmo tempo porém, é necessário que os conservadores de direita reconheçam e compreendam a necessidade imperiosa de ter presença nos espaços e nas instituições de formação de cultura, no seu sentido mais amplo. Isso já ocorre em grande escala no mercado editorial brasileiro, mas é preciso ir além. É necessário convencer empresários e investidores a apostarem na imprensa conservadora, convence-los a bancar e financiar centros de formação e think tanks conservadores e de direita, e não apenas entidades defensoras do liberalismo econômico, por mais meritórias e relevantes que essas últimas sejam.

É necessário fundamentalmente convencer a burguesia nacional, para usar uma expressão ao gosto da esquerda, que ela precisa aprender a ser uma burguesia de verdade, ajudando a viabilizar projetos que sejam de seu real interesse no longo prazo, em vez de bancar e financiar entidades e iniciativas de nítido viés esquerdista, sob pretexto de “responsabilidade social” e outros clichês, e que se destinam apenas a disseminar a agenda ideológica da esquerda.

É preciso também iniciativas ousadas e criativas que se proponham a bater de frente em áreas estratégicas de formação de cultura e de valores nas quais a esquerda impera e reina sozinha, mesmo após a era petista. Por exemplo, iniciativas de produzir material paradidático destinado a jovens e adolescentes para ser distribuído gratuitamente em escolas, bibliotecas e internet, trazendo os valores e princípios do pensamento conservador e de direita. Até onde sabemos, iniciativas dessa natureza praticamente não existem, ao menos na envergadura necessária. E uma iniciativa assim custaria bem menos do que o montante em doações arrecadadas junto a empresários numa empulhação chamada Criança Esperança, da Rede Globo.

A lista de iniciativas dessa natureza é extensa, e poderia incluir também a necessidade de convencer empresários do setor de educação a não contratar professores esquerdistas e lhes dar orientação até mesmo jurídica nesse sentido. É preciso também incentivar investidores a financiar projetos formais de educação privada de caráter conservador. Uma escola privada de caráter assumidamente conservador que fosse criada hoje teria no dia seguinte uma fila de pais e mães dispostos a matricular seus filhos, pois uma das maiores angústias de uma família de classe média atualmente é saber que irá gastar muito dinheiro para enviar seus filhos a uma escola, mesmo de elite, sabendo que ele ou ela irá receber uma educação doutrinadora de esquerda.

O fato é que a direita conservadora brasileira nunca viveu um momento tão propício na história recente do país como agora, com a derrocada do petismo, com o descrédito da classe política na sua totalidade e com a rejeição cada vez mais ampla, em quase todos os segmentos, dos valores ideológicos que a esquerda vem nos impondo há décadas. Existe uma rachadura no edifício gramsciano e a própria esquerda sabe disso. Resta à direita também se dar conta desse fato e saber que, com alguma inteligência, poderá ser possível aprofundar essa rachadura e levar esse edifício abaixo.


 

9 comentários sobre “O Caminho da Direita Conservadora Brasileira

  1. BoM dia sou dono de escola e temos tentado barrar o avanço da esquerda em nossa instituição. Como advogado que sou tenho pensado da mesma forma. Mas como fazer isso sem ferir direitos é o problema.

    Seria interessante sabermos o que podemos usar juridicamente.

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    • Senhor Paulo, o senhor já ouviu falar na ONG Escola Sem Partido. Acho que eles podem ajudá-lo. Abraços.

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  2. Eu tenho essa visão a muito tempo, e tenho buscado organizar a direita. Eu idealizei o projeto do partido conservador cons, que infelizmente tomou os rumos errados por causa das pessoas na intencionadas. Também já fundei movimentos de direita que tem cumprido um agenda dentro da esfera política de tomar espacos. Lancaremos alguns candidatos por diversos partidos esse ano, mas e claro que a mídia nao notícia porque estão contra nós. Enfim a direita ainda é imatura juvenil, as dificuldades que enfrentei para iniciar esses trabalhos foi absurda. Hoje farei um hangout e apresentarei o movimento Brasil conservador. Meu amigo william ai em cima também tem feito um excelente trabalho… abraços

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  3. Parabéns Paulo Eneas pelo espaço ‘sem medo de ser feliz e de direita’, já que não somos radicais, mas pessoas DIREITAS, na acepção dos melhores valores, Justiça imparcial, Estado de Direito, respeito à propriedade, liberdade de expressão e por uma economia de mercado liberal.
    Só não tenho visto ‘marteladas na bigorna’, para valer!, pela ELIMINAÇÃO DAS URNAS ELETRÔNICAS e IMUNIDADE PARLAMENTAR . Para mim dois grandes males que, se eliminados, já ajudariam em muito no processo de retomada. A continuar essas duas excrescências, confesso que poucos resultados teremos em nossas lutas.

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  4. Me desculpe, mas ouso discordar de apenas um ponto. O PSC vem crescendo – até mesmo com base no artigo em si – por defender os valores judaico cristãos, por defender a causa conservadora da família, da religião, do amor ao próximo e, claro, em termos econômicos, liberalismo econômico da escola austríaca, com a ênfase no Mises, claro.
    Eu acredito que o PSC seja, na atual conjectura, o único defensor do conservadorismo e de uma verdadeira direita fora do aquário esquerdista e da polarização clássica de PSDB(direita) e PT(esquerda) sendo que a diferença entre ambos é a diferença entre Marxistas Leninistas e Socialistas Fabianos.

    Realmente, concordo com o ponto em que citaram que a expressão não é tão grande quanto deveria, verdade. Porém, termos sujeitos honestos e combativos como a Família Bolsonaro, o próprio Presidente do Partido o Pastor Everaldo e o Marco Feliciano, já são provas de que a direita possui um farol para onde se conduzir nestes tempos nebulosos e de tormenta.

    Evidentemente que, dentro da política, alianças com partidos de ideias mais liberais – longe de serem conservadoras e de direita – serão feitas, como já vem acontecendo, do contrário o PSC nunca terá governabilidade caso venha a ter um presidente conservador. Você precisa ter aliança nas casas, portanto fica complicado dizer se algo vai ou não vai respingar no PSC a ponto de manchar o partido, eu creio que não. Quero acredito que nunca irá acontecer e que a essência do partido se mantenha conservadora, digo isso com categoria pois todos os que conheço do partido são leitores – ou conhecem muito bem ou enganam muito bem – de Roger Scruton, Kirk, Olavo de Carvalho e muitos outros.
    Em termos de economia, todos conhecem Mises e Hayek de traz pra frente, conhecem muito bem o liberalismo econômico clássico, a Teoria dos Sentimentos Morais do Adam Smith e etc.
    Mas é isso aí, vamos conversando, respondam-me, vamos trocar uma ideia, vamos nos engrandecer informando, instruindo e estimulando um ao outro. A direita precisa dessa convivência e eu quero fazer parte disso.

    Segundo o santo ofício, e como um católico que sou, eu quero lutar contra o comunismo com todas as minhas forças, com os meios e as formas que eu puder empregar neste processo combativo.

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  5. Muito bom esse debate. Importante salientar que os atores políticos, tanto de esquerda quanto os que mantém uma suposta imparcialidade, vulgo isentões, na prática, favorecem o avanço da agenda globalista.
    Precisamos de pessoas públicas de direita. Sem medo de ser feliz. A direita é majoritária no Brasil e deve se fazer aparecer. Neste quesito o Crítica Nacional já realiza um ótimo trabalho.
    A direita acuada é coisa do passado.

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  6. Pingback: Provável Cassação de Eduardo Cunha: Vitória da Esquerda & Ativismo Judiciário | Crítica Nacional

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