A Ação Política de Rodrigo Janot

Desde muito antes da aprovação do pedido de impeachment já vínhamos alertando sobre a ingenuidade de se imaginar que as ações do chefe da Procuradoria Geral da República fossem isentas de viés político. Isso ficou claro ainda no primeiro semestre do ano passado, com a então chamada Lista de Janot, contendo uma primeira leva de acusados: quando da divulgação da tal lista, Janot deu “Graças a Deus” pelo fato do nome da ex-presidente Dilma não estar incluído na lista.

A partir de então, a orientação política das ações do chefe da PGR ficou evidenciada em vários episódios, como a escolha a dedo de quem deveria ser investigado, privilegiando sempre os desafetos do petismo, como Eduardo Cunha. Sintomaticamente, Renan Calheiros não foi importunado em momento algum enquanto não representava um problema para o então governo petista.

Os pedidos de prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha se inserem a nosso ver nesse viés politicamente orientado das ações da chefia da PGR. Obviamente não sabemos se Teori Zavascki irá ou não acatar esses pedidos. Mas algumas considerações preliminares podem ser feitas e deduzidas com base nas ações pregressas da Procuradoria:

a) Fica evidente que o esforço do petismo para voltar ao poder inclui também a tentativa de detonar o núcleo central do PMDB, o que teria efeito desestabilizador no governo Temer. Trata-se da repetição do mesmo roteiro que deu origem à crise política iniciada há mais de dois anos no país e que deu origem à ingovernabilidade recente que desaguou no impeachment: a tentativa do petismo de se livrar do aliado fisiológico e patrimonialista que lhe assegurou a permanência no poder institucional, mas ao mesmo lhe impôs freios à agenda ideológica socialista do partido. Portanto, nesse cenário pós-impeachment, o petismo continua numa disputa de morte com os peemedebistas, não mais para se livrar dos antigos aliados, mas para inviabilizar o novo governo desses mesmos aliados e forçar a realização de novas eleições.

b) O próprio fundamento dos pedidos de prisão feitos por Janot precisam ser vistos com reservas, a não ser que existam evidências materiais que não sejam do conhecimento público. Pois até onde sabemos, ninguém pode ser preso por manifestar a intenção de cometer um crime, exceto quando essa intenção se traduz em chantagem ou coação sobre a possível vítima. Os áudios de Sérgio Machado vazados até agora indicam, aparentemente, a intenção verbal dos acusados de cometer crimes. Mas um crime é definido pela sua materialidade e não pela intenção de seus supostos perpetradores.

c) É emblemático que tais áudios tenham sido vazados pela própria Procuradoria Geral da República, criando um clima de facto para ensejar os pedidos de prisão. É emblemático também que petistas como Aloysio Mercadante, José Eduardo Cardoso e outros, também acusados de tentativas materiais de interferir na Lava Jato quando do exercício de suas funções de ministros de estado, não tenham sido incomodados pela Procuradoria até o momento.

d) A atuação de Rodrigo Janot nesse episódio e em outros reflete uma patente vocação para o ativismo judiciário, o mesmo ativismo que motivou o STF a tomar a decisão inconstitucional de suspender o mandato de Eduardo Cunha. O ativismo político judiciário é uma das mais graves ameaças à democracia e é uma herança da delinquência institucional que o petismo instalou no país. Tratamos desse caso nesse vídeo-áudio aqui de cerca de um mês atrás.

Nossas considerações acima são preliminares e obviamente não visam de modo algum sair em defesa de figuras como Renan ou Sarney ou Jucá, que são a expressão do que há de pior, mais corrupto, fisiológico e patrimonialista na tradição política brasileira. Essas considerações são uma tentativa nossa de compreender o que está de fato em jogo. E no nosso entender até agora, até que os fatos venham a nos contradizer, a ação de Janot não é para ser aplaudida nem comemorada, por mais que desejemos ver esses personagens longe da vida pública.

A ação de Rodrigo Janot é eminentemente política e atende aos interesses do petismo. Seu objetivo último é desestabilizar o novo governo, por meio do ataque frontal ao núcleo duro e fisiológico do PMDB, tal como o petismo deseja, ao ponto de se criar uma situação de impasse institucional e político que favoreça a convocação de novas eleições imediatas, eleições estas que somente beneficiariam o petismo e as esquerdas.


 

9 comentários sobre “A Ação Política de Rodrigo Janot

  1. Esse fato é antigo e MAIS do QUE VISÍVEL.

    Contudo, a imundicie do JORNALISMO ALUGADO, incluso O Antagonista, passou a defender Janot como um PGR independente e probo. Algo mais falso do que uma nota de R$ 3,65.

    Até Collor teve moral para acusar Janot e seu familiar de estar envolvido em falcatrua. Com isso e mais o apoio desavergonhado de seu primo Marco Aurélio ao PT, Janot esqueceu de Collor.

    A idéia de lançar Eduardo Cunha na fogueira foi emblemática. Afinal, Julio Camargo em delações anteriores à Lava Jato não incriminou Cunha, mas tão logo foi entrevistado pela PGR, este resolveu denunciar Cunha por este lhe ter “pedido 5 milhões”, sem mais evidência apresentar.

    Curiosamente com o impeachment nas mãos de Cunha e Renan, o PGR Janot soltou seu ataque a amgbos, com grande estardalhaço. RENAN CAPITULOU e arregou-se para o lado do PT em grande estilo. Cunha imaginou que nada provariam contra ele e achou que poderia encarar a quadrilha petista, ao contrário de Renan que de pronto submeteu-se.

    Ora, Collor entrou apenas “para não dar na pinta” quando Janot denunciou renan e Cunha PARA CHANTAGEA-LOS com tal AMEAÇA. Sim, Janot CHANTAGEOU RENAN e CUNHA, mas Cunha não se rendeu achando que poderia safar-se e endureceu mais contra o PT. Claro que a delação de Julio Camargo sobre os 5 milhões é fantasiosa, embora certamente Cunha tenha obtido propinas no Petrolão.

    Janot, quando assumiu ainda durante o MENSALÃO postou-se vergonhosamente como ADVOGADO dos PETISTAS.
    É mais que lógico seu ENGAJAMENTO no PETISMO e talvez com “rabo preso”.

    Romero Jucá, Edson Lobão, Renan, Gleise Hoffman, Humberto Costa, Lindberg Farias e muitos outros petistas e não petistas foram muitas vezes DELATADOS e Janot nada fez, desconsiderando as delações e apenas levando a termo e em rapidez o ataque a Cunha.

    Quando Jucá e Renan abandonan a linha de frente na defesa do petismo, LÁ VEM JANOT a AMEAÇA-LOS os denunciando e sobretudo através de uma delação sob sua guarda onde PETISTAS, mesmo sendo os DONOS da FACA e o QUEIJO do Petrolão e os mais interessados em melar a Lava Janto, não aparecem na delação sob tutela de Janot.

    Aliás, desde fins de 2014 Janot sentou-se sobre os politicos a indiciar, certamente CHANTAGEANDO-Os para apoiarem o Petismo. Então, meses depois e bem depois do fim de suas convenientes FÉRIAS, Janot denuncia apenas políticos de baixa monta e sem petistas. Atacando mais o PP, um partido miudo.

    É visível que Janot MANOBRA escandalosamente para o PT. …e certamente não apenas por gratidão.

    O Poder atrai pulhas da mesma forma que o cocô atrai moscas.

    Teori Zavascki cometeu a aberração de violar escandalosamente a constituição ao perceber que, caso Temer fosse cassado pelo TSE seria CUNHA que ASSUMIRIA A PRESIDÊNCIA. Isso é que causou temor na camarilha petista ao ponto do stf VIOLAR ESCANDALOSAMENTE a CONSTITUIÇÃO.

    Afinal, Cunha como presidente e fortemente inclinado a se vingar do PT e pulhas agregados, poderia ser demasiado danoso para o petismo. Daí o inqualificavel #@$%$# teori zavascki (que não merece maiuscula) entrar em PÂNICO e praticar uma ABERRAÇÃO de estrumoso descaramente. Ao ponto do PT mobilizar seu JORNALISMO ALUGADO para inventar estórias mirabolantes que “limpassem a barra” de zavascki. Até o ridículo de que este cassando Cunha impedia que se melasse o impeachment. Uma estorinha absurda completamente imbecil.

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  2. E ainda tem o FATO de Dilma ter nomeado pulhas para o STJ com a finalidade de soltar os ladrões da Lava Jato. Há o FATO gravado e efetivamente comprovado de Dilma ter nomeado Lulla para ministro com a finalidade de protegê-lo sob a guarda dos quadrilheiros do stf.

    Até o momento Zavascki, ainda mais desavergonhadamente após violar a constituição por receio de que Cunha como presidente pudesse vingar-se do PT, mantém Lulla sob proteção. Um mero JAGUNÇO JURIDICO do PT.

    Nunca antes nesse país ou em qualquer outro existiu ESBIRROS tão comprometidos e descarados no stf.

    No mais agradeço a gentileza do brilhante autor que, com seus posts originais, corajosos e extremamente pertinentes consegue destaque por insofismável qualidade de suas análises sempre fundadas em boa lógica e percepção dos fatos. Algo inegável, mesmo quando se pode divergir, mas sem se poder negar a coerência e plausibilidade.
    Forte abraço.

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