Um Problema Elementar de Estratégia Política

O desafio com que se defronta hoje uma parcela das forças políticas que participaram do movimento pró-impeachment é conseguir definir com clareza qual a prioridade a ser adotada e a estratégia política a ser seguida diante do novo governo. A dificuldade em definir essa estratégia é percebida tanto pelos segmentos que se assumem e se reconhecem como sendo da direita conservadora, como é o caso desse Crítica Nacional, quanto pelo segmento mais amplo e difuso que, ainda que condene e se oponha categoricamente às políticas de esquerda, não se coloca explicitamente como sendo de direita.

Grande parte dessa dificuldade reside a nosso ver na incapacidade de compreender uma das lições basilares da política que diz que a luta política nunca é feita em condições ótimas ou ideais, mas sim a partir das condições dadas pela a realidade. As condições oferecidas pela realidade europeia a Winston Churchill em 1939 o obrigaram a fazer uma escolha e se aliar aos comunistas de Stalin para derrotar Hitler, ainda que obviamente Churchill preferisse não ter que fazer essa escolha, e sim derrotar ambos. Mas a realidade impunha escolher entre permitir que metade do continente europeu fosse entregue aos comunistas ou o continente inteiro fosse entregue aos nazistas.

Saber fazer a escolha correta diante de condições adversas dadas pela realidade é um dos imperativos da ação política. Em nosso caso no Brasil hoje, entendemos que o combate à corrupção deve e deverá ser sempre um norte da ação política, pois esse embate atinge diretamente os interesses de grande parcela da classe política e do estamento estatal burocrático que há décadas privatizou o estado brasileiro para si, colocando suas instituições a seu serviço e não a serviço da sociedade. Mas da mesma forma, entendemos também que o combate a corrupção não pode ser o centro de uma estratégia de ação política no seu todo, exceto numa situação de absoluta normalidade democrática. E esse normalidade nós não temos hoje, em vista do aparelhamento das instituições e da deformação de nosso sistema eleitoral, entre outros, produzidos pelos treze anos de petismo.

O centro da estratégia de ação da direita conservadora deve ser o combate intransigente ao que entendemos ser muito pior do que uma classe política corrupta e patrimonialista: trata-se da ameaça real do bolivarianismo, nome que se convencionou dar aos métodos de ação comunista-socialista no continente sul americano, e que teve no petismo sua encarnação mais acabada e completa em nosso país. Esse bolivarianismo não morreu em nosso país, ainda que tenha sido ferido de morte por ter sido apeado do poder pelo impeachment. E dizemos ferido de morte por que a esquerda socialista brasileira jamais cogitou perder o poder institucional uma vez tendo o conquistado, razão pela qual não podemos subestimar a importância da vitória do impeachment, como mostramos nesse artigo aqui.

Na hipótese, que julgamentos altamente improvável, de uma volta imediata dos socialistas-comunistas bolivarianos brasileiros ao poder, seja através do petismo por meio uma reversão do impeachment no Senado nos próximos meses, o que julgamos virtualmente impossível, ou por meio do golpe institucional de eleições antecipadas que conduziriam Marina Silva à presidência, o efeito seria um só: já devidamente escaldados pela experiência política recente, o projeto bolivarianista-socialista brasileiro não hesitaria em queimar etapas e transformar o país em uma ditadura venezuelana de dimensões continentais em dois tempos.

É em vista desses elementos que entendemos ser imprescindível que se apoie o novo governo, com todas as suas limitações e ambiguidades que não são poucas, pois é isso que a realidade impõe. A direita conservadora não pode cometer o erro e a estupidez política de, em nome de um pseudomoralismo de antanho, fazer coro e se tornar aliada involuntária da esquerda em seu esforço desmedido para desestabilizar o novo governo e criar o ambiente propício para que ela, a esquerda, possa voltar de imediato ao poder.

Os episódios recentes de vazamentos seletivos de áudios, vazamentos esses articulados dentro da própria Procuradora Geral da República com o objetivo explícito de desestabilizar o novo governo, conforme mostrou o site O Antagonista nessa nota aqui (e não para dissipar uma ameaça inexistente à Lava Jato, como afirmou estupidamente Reinaldo Azevedo em um texto sem pé nem cabeça e com o tom histérico habitual que ele escreveu a respeito) servem para mostrar o quanto a esquerda está disposta a fazer o que for preciso voltar de imediato ao poder.

Pois essa mesma esquerda não é burra e sabe que o momento para ela voltar tem que ser agora, esse ano, pois em 2018 será tarde para ela, uma vez que ela terá que enfrentar pela primeira vez em décadas uma direita forte e articulada e com chances reais de chegar ao poder. É por essa razão que entendemos que a estratégia central da direita conservadora deve ser a da defesa do Governo Temer e, quando for necessário cobra-lo e pressiona-lo, não cometer a ingenuidade de agir de modo a beneficiar a esquerda.


 

2 comentários sobre “Um Problema Elementar de Estratégia Política

  1. SUPREMO em sua PERFEIÇÃO:

    “estamento estatal burocrático que há décadas privatizou o estado brasileiro para si, colocando suas instituições a seu serviço e não a serviço da sociedade.”

    “normalidade nós não temos hoje, em vista do aparelhamento das instituições e da deformação de nosso sistema eleitoral, entre outros, produzidos pelos treze anos de petismo.”

    Perfeito!

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  2. Pingback: Provável Cassação de Eduardo Cunha: Vitória da Esquerda & Ativismo Judiciário | Crítica Nacional

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