Romero Jucá: A Face Real do Jogo Político

Somente uma percepção ingênua da política poderia levar alguém a se surpreender com o caso envolvendo Romero Jucá e sua suposta tentativa de melar Lava-Jato. E dizemos suposta não por consideração ao agora ex-ministro, mas por entendermos que a Lava-Jato é irreversível: ao contrário do que afirma o cinismo mentiroso e leviano de toda a esquerda, a única possibilidade que poderia haver de interferência na Lava-Jato seria durante o governo petista, como ficou evidenciado em inúmeros episódios envolvendo até mesmo ministros do antigo governo, além dos áudios em que Lula aparece afirmando explicitamente sua preocupação nesse sentido.

O discurso que a esquerda, principalmente os parlamentares petistas, está apresentando desde segunda-feira, de que o episódio envolvendo Romero Jucá seria a prova de que o impeachment foi um golpe para destituir uma presidente legítima e inocente e para abafar a Lava-Jato, é a demonstração de que não há limite para o cinismo e a mise-en-scène da esquerda, quando se trata de mentir e exibir afetação para inverter e falsear completamente a realidade. E o fato de esse discurso cínico encontrar eco em alguns segmentos antipetistas serve também para mostrar a maestria com que a esquerda domina as sutilezas da guerra política e a incapacidade que a direita e os conservadores têm demonstrado em fazer frente a isso.

É impossível entender o cenário político desse momento sem entender a natureza da classe política brasileira. Uma classe que no seu conjunto, com pouquíssimas exceções individuais, há décadas e décadas forma um estamento burocrático corrupto e fisiologista, que historicamente sempre se serviu do estado como se fosse seu patrimônio privado. Essa natureza patrimonialista e corrupta da elite política nacional foi acentuada e aprofundada com a chegada do petismo ao poder. O mesmo petismo que na sua origem se apresentava como inimigo dessa tradição patrimonialista e corrupta, a qual prometia combater em nome da ética na política.

O que distinguia o petismo da elite patrimonialista e fisiológica que o antecedeu no exercício do poder, e que foi tranquilamente incorporada ao novo esquema de poder e de corrupção inaugurado pelo petismo, era a diferença de propósitos: enquanto o patrimonialismo e fisiologismo tradicionais se bastavam a si mesmos, sob o petismo eles passaram a ser instrumentos de um projeto de poder de cunho ideológico socialista bem definido. A derrocada do petismo representou a derrota desse projeto específico de poder, mas não representou uma ruptura com a tradição patrimonialista fisiológica da qual o petismo tanto se serviu e se beneficiou.

Sob esse pano de fundo, não é difícil entender a natureza do governo Temer: ele não é um governo de direita, mas sim um arranjo de centro resultante da derrocada do petismo e que irá expressar em seu interior muitos dos vícios da classe política brasileira, sendo que o episódio envolvendo Romero Jucá foi um exemplo disso. O nosso desafio é ter claro como nos posicionar diante desses episódios de modo a ir além das paixões do momento e conseguir inseri-los no quadro da guerra política.

Em nosso entender, o governo Temer irá sofrer uma oposição dura e desleal e antidemocrática por parte da esquerda e de seus associados no meio acadêmico, na imprensa e no meio artístico. E essa oposição não se dará pelo que esse governo é, nos termos descritos acima de uma continuidade da tradição patrimonialista da política brasileira, mas pelo que ele representa em termos daquilo que deixou de existir: o projeto de poder socialista que o petismo levava adiante se valendo também, mas não só, das piores práticas patrimonialistas e corruptas da história política brasileiro.

Diante dessas premissas, a pergunta óbvia a se fazer é que curso de ação a direita conservadora deve tomar. Entendemos que não nos cabe de forma alguma cair em armadilhas que nos levem a engrossar a oposição ao novo governo, pois enfatizamos que essa oposição será toda ela capitaneada pela esquerda e seu projeto de poder que foi derrotado. Não nos cabe também, obviamente, ter qualquer condescendência com práticas corruptas de qualquer natureza. O que nos cabe é ter inteligência o bastante para definir estratégias de ação política que possibilitem trazer a agenda conservadora para o debate político nacional, coisa que até agora não tivemos competência para fazer.


 

2 comentários sobre “Romero Jucá: A Face Real do Jogo Político

  1. Há tempos que Jucá foi denunciado na Lava Jato, mas o PGR Janot resolveu pegar a delação SELETIVA de um envolvido apenas para mostrar que pode cumprir suas ameaças.

    O PGR Janot, bem como o STF, ewstão SIMPLESMENTE CHANTAGEANDO aqueles que se opõem ao PT.

    Basta se opor ao PT e lá vem um indiciamento com rápida evolução. Se não obedecem as determinações do PT através de seus “capangas” na PGR ou STF …um delator aparece delatando APENAS opositores do PT, mesmo que opositores de ultima hora.
    Vide Julio Camargo que delatou que “cunha pediu 5 milhões” depois da ultima hora em “entrevista” com o PGR Janot. É claro que Janot tem induzido a delações seletivas e o STF igtualmente deixa vazar somente aquilo que não incomode petistas de alto coturno. ALIÁS as delações de PEDRO CORREIA e CERVERÓ estão ESCONDIDAS PELO STF. Certamente esperando acordos com estes (PGR e STF) a fim de ALIVIAR para PETISTAS e agregados GRAÚDOS destes.

    PGR e STF são meros aparelhos da quadrilha petista: Sob Janot as delações são seletivas e contra petistas apenas delatam “propina pra campanha”, já no caso dos demais não é para campanha é para eles mesmos. Disso se valeu Gleise, ciente do ESQUEMA PETISTA na PGR e STF, jagunços do PT.

    Esta escancarada a canalhice: Janot denuncia Gleisi, mas não Humberto Costa, e nessa toada denuncia Jucá com base numa delação seletiva tal e qual a de Julio Camargo.
    No fim o STF com base em fraca denuncia sob medida de Janot (sim ele manipula a denuncia para aliviar para os petistas, já que aquilo que não apontar não será analisado peloa STF) alivia para os petistas – COMO FOI NO MENSALÃO – dando PENAS SIMBÓLICAS para os AMIGOS e caprichando nas penas contra os inimigos.

    Vejam só:
    Marcos Valério, o OFFICE BOY do PT, pegou mais de 37 anos e os petistas menos de OITO!!!!
    Roberto Jeferson pegou uns meses a menos que Dirceu, mas Barroso SOLTOU DIRCEU meio ano antes de Jefferson …A CANALHICE é DESCARADA!!!! …o alivio de pena para PETISTAS é algo repugnante e feito as escancaras pelo vexaminoso e PUTREFATO STF.

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