A Direita Ainda Não Entendeu Suas Prioridades

Dissemos em artigo recente que o petismo em breve deixará de ser item de pauta política para se restringir ao noticiário policial, e continuamos com a mesma avaliação. E uma das ironias da história recente do país é que o último grande fato de repercussão política associado ao petismo será de natureza policial e criminal: a possível prisão de Lula em decorrência, entre outros, das investigações da Polícia Federal sobre as suspeitas de sua atuação como lobista da Construtora Odebrecht junto ao BNDES em operações em Cuba e países africanos.

A provável prisão do chefe da organização criminosa com registro partidário que quase conseguiu destruir o país para implantar sua ideologia socialista, será o epílogo eloqüente da derrocada do projeto de poder mais ambicioso que os comunistas já empreenderam no continente latino-americano. Um projeto que foi derrotado na esfera institucional, mas cuja ideologia que o ensejou, ideologia esta que estava na base de seus métodos criminosos, ainda não foi derrotada e tem que continuar sendo combatida todos os dias também em outras frentes.

Uma dessas frentes é a própria esfera institucional. Pois, apesar de o petismo ter sido apeado do poder de fato, ele ainda está presente nas entranhas do estado como entulho ideológico embrulhado sob a forma de diversas políticas públicas estatais que ainda estão sendo implementadas. É esse o real sentido que damos à expressão despetezar o estado: não basta exonerar militantes partidários que aparelharam a máquina estatal. É preciso também rever e, quando for o caso, alterar ou mesmo suspender políticas públicas que sejam a expressão ideológica do projeto de poder que foi derrotado.

Nessa tarefa mais exigente de despetezação, temos que reconhecer a falta de habilidade e de capacidade política que a direita exibiu até momento para tratar desse desafio de forma apropriada, se municiando das estratégias corretas para pressionar o novo governo nesse sentido. Em vez disso, muitos atores políticos de direita, institucionais ou da sociedade civil, estão se ocupando em saber se a ex-presidente irá ou não continuar tendo avião à sua disposição e questionando sua permanência na residência oficial da presidência às custas do erário. Essas questões, ainda que importantes, são secundárias ante a real tarefa de despetezar o estado brasileiro.

Não podemos ser ingênuos: Exceto em áreas sensíveis como economia e política externa, o novo governo, por se inserir na tradição patrimonialista e fisiológica da cultura política brasileira, não irá promover o desaparelhamento ideológico do estado brasileiro por vontade própria. Ele tenderá em vez disso a fazer acomodações. A remoção efetiva do entulho ideológico deixado principalmente pelos treze anos de petismo, mas também herdado em parte dos oito anos de governo tucano anterior, somente irá ocorrer como resultado de um embate político-ideológico no qual a direita conservadora terá um papel central.

Um papel que a nação espera, mas que nós não estamos sendo capazes até o momento de desempenhar à altura. Um exemplo dessa nossa incapacidade é a resposta pífia que temos dado ao poderoso lobby de artistas rouanetes contra a extinção do Ministério da Cultura. Um lobby tão eficiente que fez Michel Temer recuar em parte, como era de se esperar. Por outro lado, tudo que a direita conseguiu produzir foi uma campanha virtual tola de boicote a um certo filminho bancado pela Lei Rouanet, filminho esse que de resto ninguém iria assistir mesmo, como a maioria das medíocres produções cinematográficas nacionais bancadas com recursos públicos.

Outro exemplo da inépcia da direita brasileira nesse momento foi a nossa incapacidade de pressionar o governo para impedir a nomeação de uma esquerdista para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Ainda falaremos desse órgão em outro artigo, mas é importante lembrar que durante a era petista essa secretaria se tornou o bunker e o centro de gestação das políticas socialistas de linha dura do partido. Políticas essas mais explicitamente alinhadas com a agenda ideológica da esquerda e com forte componente de engenharia social, e que tinham como foco o cerceamento da liberdade de expressão e de imprensa, a proteção da criminalidade, políticas pró-aborto, demonização das polícias militares, entre outros. Todas elas sob o manto eufemístico de direitos humanos.

A direita conservadora tem a obrigação de em primeiro lugar compreender a dimensão da vitória que a sociedade brasileira obteve ao derrotar o petismo, como apontamos nesse artigo aqui. Mas precisa compreender também os desafios que temos pela frente ante a natureza do novo governo, conforme descrita também no referido artigo. Ou compreendemos esses novos dados da realidade para definir nossa estratégia política de maneira eficaz, ou ficaremos perdendo tempo nos ocupando de questões secundárias enquanto a esquerda, por meio de seus poderosos lobbies artístico, acadêmico e da imprensa prosseguirá fazendo a grande política junto ao novo governo obtendo vitórias ou no mínimo impedindo novas derrotas.


 

13 comentários sobre “A Direita Ainda Não Entendeu Suas Prioridades

  1. Mais uma vez, ótimo artigo Paulo ! PESSOAL, precisamos nos mobilizar! Pensei em criar uma petição via CITIZEN GO para exigirmos a retirada da Flávia Piovesan da chefia da Secretaria de Direitos Humanos. Precisarei do apoio de vocês. NÓS DEFINIREMOS AS PAUTAS DAQUI PRA FRENTE!

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    • Manda ver na petição, mas além dela é preciso outras frentes de ataque a estas respostas da esquerda.

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    • Concordo plenamente, que devemos fazer alguma coisa quanto a isso, pq a Secretaria de Direitos Humanos é estratégica para a esquerda continuar o aparelhamento do Estado, introduzindo a versão reinterpretada dos “direitos humanos”, que na verdade são direitos desumanos. Essa Petição puxaria, então um abaixo assinado.

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  2. Um assunto que deve ser bem comentado e que não deveria ser novidade. Porém, foi negligenciado apesar de já ter sido apontado ainda no seculo XIX:

    Nietzsche escreve:

    “447. Utilização da pequena desonestidade. — O poder da imprensa consiste em que todo indivíduo que para ela trabalha sente-se muito pouco comprometido e vinculado. Em geral ele diz sua opinião, mas ocasionalmente não a diz, para ser útil a seu partido, à política de seu país ou a si mesmo.

    Esses pequenos delitos da desonestidade, ou apenas da reticência desonesta, não são difíceis de suportar para o indivíduo, mas as suas conseqüências são extraordinárias, porque tais pequenos delitos são cometidos por muitos ao mesmo tempo.

    Cada um deles diz para si: “Com serviços tão diminutos vivo melhor, posso ganhar a vida; se recuso essas pequenas considerações, eu me torno impossível”. Como moralmente parece não importar escrever ou deixar de escrever uma linha a mais — talvez sem assinar, além disso —, alguém que possua dinheiro e influência pode transformar qualquer opinião em opinião pública.

    Quem sabe que a maioria das pessoas é fraca nas pequenas coisas, e deseja alcançar seus objetivos através delas, é sempre um indivíduo perigoso.448. Um tom alto demais na reclamação. — Se uma situação crítica (como os vícios de uma administração, ou corrupção e favoritismo em entidades políticas ou culturais) é descrita de forma bastante exagerada, a descrição certamente perde efeito junto aos perspicazes, 146 mas age com tanto mais força sobre os não-perspicazes (que teriam permanecido indiferentes, no caso de uma exposição cuidadosa e moderada). Mas, existindo estes em número consideravelmente maior, e abrigando em si forças de vontade mais intensas e mais impetuoso desejo de ação, o exagero favorece investigações, castigos, promessas, reorganizações. — Nesse sentido, é útil exagerar na descrição das crises.”

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  3. A estratégia ideologica sempre foi negligenciada por seus adversários, embora reconhecida até instintivamente, mas nunca externada em palavras fortes para desfazer seu encanto. É aquiilo que todos sabem, mas todos fingem não saber ao não comentar o TABU.

    Nietzsche:
    “52. A marca da honestidade no embuste. — Em todos os grandes embusteiros é digno de
    nota um fato a que devem seu poder. No próprio ato do embuste, com todos os preparativos, o
    tom comovedor da voz, da expressão, dos gestos, em meio ao cenário de efeitos, são tomados
    da crença em si mesmos: é ela que fala de modo miraculoso e convincente aos que estão à sua
    volta.”

    O apelo ao comovente para subverter a razão e assim fabricar “verdades” através de mentiras que são analisadas “pelo coração” e não pelo cerebro.
    Montaigne foi perfeito quando disse que o que mais irrita aos embusteiros é a exposição da origem das idéias, desmistificando-as.
    A tal de “direita”, seja lá o que isso for, jamais ousou questionar moralmente o Socialismo por receio de desprestigiar o pieguismo herdado. O grande erro foi atacar o Socialismo com afiirmações de eficiencia economica, como se tal fosse prioridade no julgamento das massas. Estas muito mais afeitas a compensar a pobreza material com pretensa superioridade moral. Sim, porque sabem que a riqueza material lhe será mais difícil de obter do que meramente ostentar uma propagandeado virtude moral. Bertrand Russel foi muito preciso ao expor a existência de dois tipos de ambição: a ambição material e a ambição intelectual (psicológica). Não hesitando em dar a ambição psicológica como infinita, enquanto a material muito limitada na capacidade de usofruto e portanto secundária. Ou seja, a ambição psicológica pela apinião alheia favorável ou estabelecida por “autoridade” divina ou terrena (propaganda moral) tem muito mais força do que complexos raciocínios fora do alcance da grande massa. Esta mais fácil de aderir a dogmas convenientes que lhe bajulem como “os mais meritórios”.

    A disputa contra o Socialismo é antes de tudo MORAL. O que se deve fazer é mostrar o quanto tal ideologia espúria, que apenas visar justificar o Poder estatal absoluto, é inferior e torna desprezível seus adeptos sempre recalcados, invejosos, oportunistas, aproveitadores, vadios e pérfidos: não existe sociaista bem intencionado, ou deseja proveito material ou proveito moral e geralmente ambos.

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