Boatos de renúncia e ensaios de guerra política

Circulou nessa manhã em vários veículos a notícia de que a ex-presidente em final de exercício renunciaria ao cargo nessa sexta-feira e exortaria o presidente Michel Temer a fazer o mesmo, abrindo assim caminho para convocação de novas eleições gerais. Os chefes do petismo sabem que seu projeto de poder está derrotado e liquidado no campo político e institucional, e o uso recorrente que eles têm feito da retórica sobre o suposto golpe se destina unicamente a consumo interno para a escória de seus militantes e de suas milícias. Eles também sabem que obviamente Michel Temer não ira renunciar, assim como sabem que a proposta de novas eleições não irá prosperar. Portanto, o vazamento deliberado dessa notícia de uma provável renúncia da ex-presidente em exercício deve ser visto como ensaio de guerra política.

Uma vez que já está ciente da derrota e da perda objetiva do poder, o petismo começa a esboçar as alternativas que podem ser adotadas daqui para frente. E a principal delas é justamente fazer aquilo que os socialistas mais sabem fazer, além de mentir e de roubar recursos públicos e de destruir a economia do país quando estão no poder: preparar o terreno para começar a desempenhar o papel de oposição ferrenha e intransigente ao novo governo, oposição essa que terá como eixo central de atuação a tentativa de desqualificar o governo do presidente Michel Temer, tentando apresenta-lo como ilegítimo. O questionamento permanente à legitimidade do governo de Michel Temer é o que dará o tom da oposição de esquerda até o final de seu mandato.

O petismo poderá de fato adotar essa estratégia de dar continuidade à falaciosa retórica de golpe por meio da tentativa permanente de deslegitimação do novo governo, e acreditamos ser essa estratégia a mais provável, pois estará em linha com a tradição da esquerda de deslegitimar todo e qualquer poder constituído que não esteja sob seu controle. Assim, a hipótese da renúncia da ex-presidente em final de exercício merece ser considerada, pois fará sentido do ponto de vista do petismo: além de evitar mais uma retumbante derrota política na votação do Senado, a renúncia da ex-presidente seguida da não-renúncia esperada do presidente Michel Temer, daria ao petismo o argumento de que necessitará nos próximos dois anos para exercer seu papel de oposição deslegitimadora do governo.

Nesse cenário concebido pelos chefes petistas, tudo o que o petismo precisará fazer é afirmar que o governo Michel Temer é ilegítimo, pois ele não teve a grandeza de renunciar num momento de crise, como Dilma teve, para convocar novas eleições para o bem geral do país. Esse argumento cínico e mentiroso pode estar nos planos de petismo e não será surpresa se esse caminho for adotado. Afinal, a esquerda nunca teve dilema ético ou moral em usar da mentira e da dissimulação e do cinismo como elementos de guerra política. E não é agora, em meio a uma derrota histórica, que seria diferente.


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