O cenário político que temos hoje e nossos desafios imediatos

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No nosso entender, o cenário político institucional que se encontra desenhado hoje, e que reflete em parte alguns dos elementos que antecipamos em nossas análises aqui no Crítica Nacional, pode sumarizado da seguinte forma:

a) O petismo como projeto de poder político foi liquidado, conforme dissemos nesse artigo aqui essa semana. Alguns leitores nos contestaram nesse artigo, uma contestação que aliás é sempre muito bem-vinda. Mas continuamos mantê-la pelo seguinte motivo: poder político não é um conceito inefável ou uma abstração. Poder político é algo concreto e se traduz no poder de controlar os bilhões em recursos públicos, controlar ainda que formalmente as Forças Armadas e a Polícia Federal, poder de convocar rede nacional de rádio e televisão, poder de nomear pessoas para cargos públicos, poder de controlar as gigantescas empresas estatais, poder de aliciar parlamentares, poder de falar no exterior em nome do país e determinar o posicionamento da nação em assuntos geopolíticos internacionais. Esse poder que o petismo detinha há treze anos ele perdeu e de modo irreversível.

b) Nos próximos dias Dilma será afastada do cargo que ainda ocupa formalmente, uma vez que poder político de fato ela já não detém mais nenhum. Esse afastamento será definitivo, apesar de ser nominalmente por até cento e oitenta dias. Também conforme dissemos no artigo citado, é impensável e surreal considerar a hipótese de o Senado devolver o poder ao petismo no decorrer do julgamento final do processo de impeachment nos próximos meses, pois esse julgamento é eminentemente político, sendo o elemento jurídico apenas o gatilho desencadeador do processo. Essa é a natureza real do impeachment, como também já estamos afirmando há mais de um ano, em artigos do   antigo blog pessoal deste autor: o impeachment é o remédio jurídico adotado no texto constitucional de um regime presidencialista para que este disponha de um mecanismo equivalente ao voto de moção de desconfiança adotado nos regimes parlamentaristas.

c) As ameaças feitas pela esquerda de promover caos social e de causar incêndios no país nunca passaram de um blefe. A conversa fiada de Lula sobre o suposto Exército do Stédile, em referência à milícia do MST, nunca passou de bravata de bêbado de palanque. As tentativas da esquerda de causar terror psicológico por meio de ameaças de guerra civil também nunca passaram de um blefe. A ocorrência de uma guerra civil é um evento sério e trágico demais para ser desencadeado por um ajuntamento de pessoas pobres e miseráveis que são enganadas e iludidas por delinquentes de esquerda como Guilherme Boulos e outros, e que acabam misturando essas pessoas enganadas e inocentes a uma escória de vagabundos, desocupados, bandidos pé de chinelo, foragidos da justiça e imigrantes estrangeiros, formando o que a esquerda e a imprensa chamam eufemisticamente de movimentos sociais. Esses ajuntamentos disformes, que se mantêm basicamente às custas de recursos públicos, não têm capacidade de promover guerra civil nem no Sri Lanka, quiçá no Brasil.

d) Por fim, a proposta de realização de eleições gerais esse ano, que é a última cartada institucional do moribundo petismo e que foi endossada pelo seu porta-voz oficioso, o jornal Folha de São Paulo, não irá prosperar, pois dependeria de aprovação de emenda constitucional. Esperar que tal emenda seja aprovada seria o mesmo que esperar que o PMDB e as forças políticas que estão se aglutinando em seu entorno concordem em abrir mão do poder de fato que passarão a exercer como protagonistas institucionais nos próximo dois anos para aceitarem o risco de serem no máximo coadjuvantes do poder após tais hipotéticas eleições. Obviamente que esse cenário só existe no imaginário delirante dos petistas e do resto da esquerda.

Isso posto, entendemos que não cabe mais à direita e aos conservadores, bem como aos segmentos que não se identificam como tais mas que estão no campo de oposição intransigente ao petismo, ficar reagindo (*) à agenda fake do petismo e da esquerda no âmbito institucional. O que nos cabe é começar a pôr na mesa a nossa agenda institucional, que no nosso entender deve contemplar agora no mínimo três pontos essenciais:

1) A defesa do que estabelece o texto constitucional, que determina que o vice-presidente que vai ser empossado em maio conclua seu mandato até o final de 2018. Isso não significa obviamente o apoio incondicional ao novo governo, mas sim a defesa do que diz o texto  constitucional.

2) Iniciar uma campanha nacional pelo fim do sistema de votação eletrônica e pela adoção do voto impresso como mecanismo de garantia de lisura nas próximas eleições. Essa campanha não deve ser confundida com a tal reforma política ou constituinte exclusiva que a esquerda tentou emplacar recentemente. Ainda que haja uma real necessidade de reordenamento do sistema político partidário nacional, com a inclusão de cláusula de barreira e extinção do fundo partidário e o fim da destinação de recursos públicos para partidos e para campanhas, entendemos que o foco prioritário deve ser a abolição das famigeradas urnas eletrônicas. Pois o mais importante agora é assegurar que a vontade do eleitor seja respeitada e impedir que se repita o que ocorreu nas últimas eleições presidenciais, onde a vitória de Dilma Rousseff resultou de uma fraude eleitoral. Para isso, um evento como o Conclave de Brasília realizado nessa terça já trouxe uma enorme contribuição ao debate.

3) Exigir do presidente Michel Temer a suspensão imediata, por meio de decreto ou de contingenciamento, do repasse de recursos públicos para todas as entidades de fachada, incluindo sindicatos e centrais sindicais, que na verdade se constituem em aparelhos da esquerda destinados a sustentação de suas proto-milícias, como o MST ou  MTST e outras ONG’s e entidades dessa natureza. Essa é uma decisão que depende unicamente do presidente e não depende de aprovação de lei no parlamento. Ficaria de fora dessa medida somente as entidades sabidamente filantrópicas e sérias da área da saúde como as Santas Casas e APAE’s.

Entendemos ser essa a agenda institucional imediata que a direita e os conservadores devem apresentar agora à sociedade, para que possamos a ser protagonistas não mais da reação às políticas de esquerda, como temos sido até agora por necessidade, mas para que possamos ser protagonistas proativos do debate político nacional, que há décadas é pautado unicamente pela agenda esquerdista. Trata-se assim de usar com inteligência política essa janela de oportunidade única que pela primeira vez se abre na história recente do país.

(*) Nota:
Estamos nos referindo claro à agenda estritamente institucional. Evidente que há uma agenda muito mais importante, aquela ligada à guerra política no campo onde ela realmente é decidida, que é o campo da disputa ideológica dos valores morais, no qual a esquerda ainda tem preponderância e contra a qual devemos reagir de modo permanente, por meio de ações concretas como essa palestra aqui por exemplo, que trata de um dos temas mais caros à esquerda e que exige nosso enfrentamento permanente.


001 Anuncio Ate 06 Maio 2016

3 comentários sobre “O cenário político que temos hoje e nossos desafios imediatos

  1. Paulo, concordo 100% com a tua proposição para uma nova agenda da direita e dos conservadores. Não retiro nada. Apenas acrescentaria: Extinção do Quinto Constitucional e, por conseguinte, a ocupação do cargo de Ministros dos Tribunais Superior somente por eleições e exclusivamente a magistrados de carreira, extensivo aos Tribunais de Contas. E digo isso porque a “Ditadura do Poder Judiciário” retira dos cidadãos o último suspiro a direitos e garantias em face do Estado. Pior: funciona como um paralisante.

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