O petismo como projeto de poder está liquidado

O projeto de poder da esquerda socialista no país representado pelo petismo chegou ao fim e foi derrotado. E essa derrota foi imposta aos socialistas principalmente por um extraordinário e até então inédito movimento democrático de ruas que pautou a agenda política do país por quase dois anos. A derrota petista resultou também de uma disputa interna surda no núcleo do poder político, disputa essa iniciada pelo próprio petismo e no qual ele também foi espetacularmente derrotado. Nós havíamos analisado a natureza dessa disputa interna, da qual pouquíssimos analistas políticos se deram conta em dois anos, bem como seus desdobramentos, nesse artigo aqui, escrito antes da votação do impeachment.

O petismo como projeto de poder político está liquidado porque o impeachment se tornou irreversível. O jogo de cena que iremos observar no Senado nos próximos dias se prestará tão somente a cacifar certas posições políticas no interior do PMDB, que nos próximos dois anos se tornará o partido do poder de direito, coisa que ele já o é de fato há décadas. Pois é impensável e surreal imaginar que o Senado irá cometer o ato suicida e de lesa-pátria de reverter o processo de impeachment e entregar o poder de volta ao petismo, indo contra a decisão majoritária da Câmara que, por sua vez, nada mais fez do que reverberar a vontade e o desejo de mais de noventa por cento dos brasileiros, incluindo os agentes econômicos.

Não se trata aqui de cantar vitória antes da hora ou de ser otimista em excesso. Até porque, as noções de otimismo ou de pessimismo não cabem em análise política: o que cabe é, diante de um conjunto de dados objetivos, verificar qual o desdobramento mais provável. E no nosso entender, o desdobramento mais provável é o da irreversibilidade do impeachment e a liquidação e o fim do petismo como projeto político. E aqui estamos falando de derrota do petismo como ator político, o que não significa de modo algum a derrota da agenda ideológica de esquerda que vem sendo imposta no país há décadas e que corre o risco de continuar sendo imposta impunemente, se a direita e os conservadores não se derem conta dos novos desafios que terão pela frente.

É importante também ter claro que o novo governo de transição chefiado por Michel Temer não representará a ruptura com o estamento burocrático que há décadas domina o estado brasileiro, dele se servindo em benefício próprio por meio de práticas corruptas fisiologistas e patrimonialistas. O novo governo será tão somente um estancamento ou uma interrupção do processo de aparelhamento desse estado, que era levado a cabo pelo petismo com vistas a colocá-lo a serviço de um projeto de poder socialista e antidemocrático.

Uma mudança real na natureza do estado brasileiro, que somente vai advir com a derrota completa do estamento burocrático e corrupto que o domina e controla, somente ocorrerá no bojo de um processo político que inclui a ruptura e a derrota efetiva da agenda ideológica da esquerda e a mudança na mentalidade estatista presente no imaginário brasileiro. Esse processo será obviamente muito mais longo e mais desafiador, e exigirá da direita e dos conservadores, em aliança pontual com alguns segmentos liberais em temas específicos, um esforço de organização e de qualificação para a guerra política muito maior do que aquele que empreendemos até aqui no combate ao petismo, à corrupção e na luta pelo impeachment.

O desafio real que a direita e os conservadores têm pela frente não se restringe a combater a corrupção ou a ineficiência do estado. O desafio que realmente importa, aqui em nosso país e nas demais sociedades democráticas do ocidente, é derrotar o verdadeiro câncer que as assola, representado pelo pensamento de esquerda em todas as suas facetas, e que vão muito além do moribundo petismo.


001 Anuncio Ate 06 Maio 2016

5 comentários sobre “O petismo como projeto de poder está liquidado

  1. O PMDB ajudou junto com o povo a varrer o PT, agora é a vez do povo no voto, varrer o PMDB e pedir uma reforma política, com novas regras e 7O % de políticos a menos no congresso, senado, assembléias e câmaras municipais.

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  2. Além da diminuição de parlamentares em todos os níveis, também se faz necessário o fim dos privilégios e do fórum privilegiado, o que faz com parecam ser semi- deuses.

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