Nota preliminar sobre a essência do pensamento autoritário

A essência de todo pensamento político autoritário, e portanto a essência presente em todas as variantes da ideologia de esquerda, reside na noção de que cabe ao Estado ser o indutor do comportamento das pessoas e cuidar delas, sob o pretexto de protegê-las de si mesmas, tendo por finalidade última garantir o bem comum. Todos os regimes de ditadura genocidas de inspiração marxista nasceram sob esse princípio, desde o nazismo até a ditadura comunista cambojana dos anos setenta que, sob o pretexto de proteger as pessoas delas mesmas, dizimou a vida de mais de dois milhões e meio de civis cambojanos inocentes em menos de três anos.

Sob o regime de ditadura comunista do Camboja chefiada por Pol Pot, cujo nome verdadeiro era Saloth Sar e que era professor de história e de literatura francesa formado em Paris, o estado comunista autoritário proibia que mais de duas pessoas conversassem juntas em público. E o pretexto de tal proibição era que a reunião de mais de duas pessoas poderia dar origem a conflitos e tensões entre elas, de modo que o Estado preocupado com o bem estar das pessoas procurava induzir um comportamento distinto. No caso da ditadura comunista cambojana, essa indução significava na prática a proibição pura e simples de reunião, sob o risco de prisão e pena de morte.

Nas modernas democracias ocidentais, onde as instituições do estado vêm sendo ocupadas nas últimas décadas pelos valores de cultura do pensamento de esquerda, por conta das bem sucedidas estratégias gramscianas de guerra política e ideológica, essa noção do estado como indutor de comportamento vem sendo implementada e aceita sem maiores questionamentos por parte da maioria da sociedade. As pessoas não percebam que estão paulatinamente abrindo mão de parte de sua liberdade de escolha e delegando esse direito de escolha ao Estado, que se arvora da condição de ser mais capaz de fazer tais escolhas.

Assim, quando o governante de esquerda, seja socialdemocrata ou socialista, diz que vai adotar políticas que estimulem ou inibam (ou em alguns casos obriguem ou proibam) determinados comportamentos, como hábitos alimentares, uso desse ou daquele meio de transporte, ou políticas que determinem esta ou aquela maneira de as famílias educar seus filhos, ou ainda políticas que orientem a ocupação do espaço urbano nas cidades nesta ou naquela direção (nesse caso sob pretexto de diversidade ou de inclusão social ou qualquer outro clichê esquerdista desse tipo usado para esconder essa vocação autoritária), o que se tem é a semente do estado autoritário em plena germinação, sob o pretexto de promover o bem comum.

O pensamento conservador e de direita entende que não cabe ao Estado usar de seu poder de coação para induzir comportamentos sob pretexto algum. Não cabe ao estado se ocupar da vida das pessoas naquilo que diz respeito às suas escolhas, cabendo a responsabilidade e as consequência que delas decorrem unicamente aos indivíduos. O pensamento conservador e de direita não concebe um estado que se ocupe em cuidar das pessoas, mas sim um estado que assegure as condições para que as pessoas possam exercer, e responder pelas consequências, sua plena liberdade para fazer suas escolhas e cuidar de suas próprias vidas.


001 Anuncio Ate 06 Maio 2016

Comentário ao artigo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s